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POLÍTICA -
Carta Aberta ao PCP e CDU de Peniche
António Azevêdo Filipe apresentou a renúncia ao mandato que exercia na Assembleia Municipal de Peniche por ter perdido a confiança na direcção local do partido e na direcção da CDU.
A seguir transcrevemos a sua carta justificativa publicada no jornal local ” Correio Popular”.
. ………………………………… .
Inscrevi-me no PCP no dia em que o partido fez 80 anos e libertei-me do dever de militância, sete anos passados, precisamente em Março passado . Não nasci para a política quando entrei para esse partido apesar de colaborar na acção com os militantes comunistas, de uma forma mais ou menos próxima, há mais de 30 anos. Estivemos próximo nas listas da APU e da CDU. Estivemos mais longe quando pertenci aos GDUP de apoio a Otelo Saraiva de Carvalho, fui mandatário concelhio de Maria de Lourdes Pintasilgo ou apoiei a 1ª candidatura de Jorge Sampaio em Peniche.
Nos últimos anos trabalhamos na construção de uma alternativa de esperança para este concelho baseada no programa do Partido Comunista Português, procurando responder à necessidade de mais desenvolvimento económico, mais emprego, maior participação das pessoas e das instituições motivadora de amplos consensos e mobilizadora da população
Foi um trabalho sério e duro de uma equipa que culminou na conquista da Câmara Municipal e de três juntas de freguesia, facto inédito no Distrito de Leiria, realçado ainda mais com a vitória de uma mulher numa Junta de Freguesia – S.Pedro.
O povo acreditou nas propostas da CDU e na verdade dos camaradas e amigos que deram a cara por ela.
Vencemos com uma boa equipa para um bom programa.
Porém, e com a conquista do poder foi evidente o aparecimento, em Peniche, dos tiques sociais – fascistas que minam o funcionalismo do Partido Comunista Português e o querem transformar numa Congregação Religiosa Acrítica Modelo Familiar. Em lugar de posições de um partido dono e respeitador da sua história e do exemplo de muitos comunistas foi surgindo a decisão na sombra ,o facto consumado, o truque demagógico.
Aquilo que pensávamos ser apenas episódios de oportunismo da concelhia, provocadora de oposição e (ou) afastamento de algumas pessoas, entre elas responsáveis camarários como o ex-vice presidente da Câmara Municipal de Peniche e o ex chefe de Gabinete do Sr. Presidente da Câmara Municipal de Peniche, verificámos tratar-se de uma orientação partidária a partir do momento que não foi inquirida .
Tal orientação parece advogar o pensamento partidariamente correcto ou pensamento único oposto a todos os movimentos cívicos e unitários dos trabalhadores que estejam em Associações, Freguesias ,Câmaras e até no Movimento Sindical que ousem interpelar os interesses dos funcionários/beneficiários em jogo.
O objectivo desse ataque é a salvaguarda , conservação e acumulação dos pequenos poderes (tachos e tachinhos) obscuros, incompatíveis com a dialéctica marxista. Assim, tudo e todos situados fora do controlo dos interesses dos funcionários / beneficiários tem direito a excomunhão mesmo que no dia anterior, lhe tenham cantado loas. Alguns casos em Peniche são paradigmáticos.
A minha relação de confiança com o PCP terminou no dia em que senti a palavra quebrada, a ética posta de lado e camaradas desvalorizados por serem idosos.
A minha relação de confiança com a CDU de Peniche quebrou-se porque todos os defeitos do PCP estão lá com a agravante de se estar a olhar para uma cópia mediática.
Assim sendo e porque não devia nada ao Partido e o partido nada me devia saí.
Tomei esta atitude para preservar a minha higiene mental e liberdade de acção.
Sete anos após ter entrado para o PCP libertei-me dele como muitos outros camaradas já o fizeram antes.
A.A.Filipe
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