O meu amigo Santelmo dos Santos que não tem Facebook enviou-me este texto que reproduz una conversa entre amigos durante um sonho que teve recentemente:
Passos alisou com os dedos o penteado tremendo o sobrolho preocupado. Vendo isso , Relvas mexeu , deu um jeito ao nó da gravata , destravou o discurso preso na maçã de Adão e sentenciou:
-“Pois é chefe não bastava aos Gregos a cair, a bolsa a deslizar ,as agencias de rating roer o lixo, o Carnaval a encolher, Merckel a querer baixar o Orçamento como também agora a temperatura baixa, baixa, baixa. Isto estava a ir tão bem, mas… havia sinais positivos em Belém após a revitalização do pastel de nata. Ele estará com a oposição ?
- Só Ele sabe . Mas contra Ele não podemos fazer nada . Temos de aceitar estas temperaturas trema quem tremer.
Relvas não chegou a responder porque a porta do gabinete se abriu bruscamente. Quem havia de ser? Era o Álvaro. Entra Álvaro, eufórico ,tudo lambuzado ainda chupando no dedo do meio o resto do creme de um pastel , quentinho da “Chique”.
-Chefes, chefes,.. tive outra ideia.
-Não me digas que descobriste que era bom exportar baba de camelo !
-Não chefe, isso é produto que levava à importação de alguma matéria prima porque os camelos que temos estão todos colocados em locais estratégico. Temos de ser inovadores ,embora pouco, para não cairmos em extremismos e consequentemente tomados por revolucionários. A inovação que proponho a todos os portugueses e portuguesas é voltar para trás ,aos produtos com marca na memória e com forte impacto nos impostos.
-Tais como inquiriu Passos desconfiado.
-Tais como Definitivos e Provisórios.
-Tabaco?
– Sim, chefe – respondeu Álvaro, triunfante, com aquele sorriso de criança angelical que lhe deu carisma no Canadá. Foram marcas muito consumida e que se enquadram perfeitamente na nossa política. Exportávamos primeiro os Provisórios e, enquanto houver provisórios não mandávamos embora os Definitivos.
-Amorfos , amorfos é que devíamos exportar .-intrometeu-se Relvas.
Álvaro pôs um ar triste, fez beicinho e enfrentou corajosamente Relvas:
- Por favor também não é preciso ofender. Já basta a oposição vir com a conversa de que não faço nada, que sou emigrante e retornado ! …Até tu?…Relvas !…Francamente! Se imaginasse que era assim não deixava a cátedra do Kentucky.
-Calma ,calma .Não sejas piegas …Ele estava a falar de… – atalhou Passos apagando o fogo como só ele sabe.
-Piegas? Eu é que sou piegas?
- Sim Álvaro, quero dizer, não…gaguejou ou Passos - não é bem isso .Amorfos , eram 40 pauzinhos direitos com cabecinha, fálica, vermelha que endireitavam uma bela chama com o mínimo esforço.
- Eram os amorfos Lusitanos – Completou Portas acabado de entrar.
- Pois – precisou Relvas, pondo aquele ar professoral que faz para os repórteres estagiários da comunicação social que andam atrás dele – agora os fósforos são feitos de cartão, têm a cabeça amarela, e por mais energia que façamos para lixa-los não conseguimos. São chineses .
-Eu sei que precisamos de boas ideias mas, Álvaro, achega-te ao Borges. Ele também sabe inglês. Vocês entendem-se, certamente. Isso do tabaco ainda punha o George de cabelos em pé e bem capaz de mobilizar da DGS uma brigada da ASAE que podia vir fiscalizar o prazo de validade deste governo.
Santelmo dos Santos 2012